terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Um choro entalado


Eu sempre soube que a região onde moro não é das mais tranquilas da cidade. Sei também que hoje isso não é uma exclusividade desta ou daquela região, há violência em qualquer lugar.

Ocorre que nas últimas semanas, infelizmente, fiquei sabendo de mortes de pessoas que conheci, convivi e acreditei que podiam ter uma vida diferente. Principalmente um deles...

É estranho o sentimento que descreve esse momento!
Não sei explicar...

É verdade que há tempos não tinha notícias dele. Fizemos escolhas que nos levaram por caminhos diferentes e isso nos afastou. Mas ainda assim não consegui ser indiferente a esse fato.

Não consegui ficar indiferente ao choro e ao coração dessas mães, avós e daquelas “tias da galera” que insistem em chamar a piazada na praça pra jogar futebol, fazer campeonato e ocupar o dia deles com qualquer outra oportunidade que não seja a rua e as ofertas dela.

Alguns podem pensar que não sei do que estou falando, porque ao contrário da minha irmã que ia até onde fosse preciso pra alcançar essa piazada, sem preconceito, sem medo, enquadrava qualquer um e obtinha o respeito deles, eu apenas observava e estava por perto quando ela me pedisse.

Mas a observação me deu oportunidades importantes também. Conheci corações sinceros que desejavam apenas uma chance. Alguém que os enxergasse como a minha irmã e alguns outros fizeram.

Estou certa de que o investimento dessas mães, avós, tias, pastores e amigos não foram em vão.
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Alguns diriam que a morte desses jovens é culpa da sociedade. Outros culpariam o governo. Outros a família e ainda outros culpariam os próprios jovens. No entanto, meu objetivo com esse texto não é procurar culpados. Até porque todos nós somos frutos da nossa história até aqui, com erros e acertos, boas e más influências.

O que me incomoda é o fato de não conseguirmos chorar com os que choram. Não conseguimos clamar por essas vidas como clamamos (e posso falar disso por ter histórias semelhantes na minha família) por nossos parentes.

Com o argumento de que “ele escolheu esse caminho” ou de que “não há muito o que fazer agora, ele já é um adolescente”, cruzamos os braços e deixamos que um a um sejam ceifados.

Por que nos colocamos como juízes sobre eles e determinamos que por escolherem caminhos escusos mereciam a morte?

Por que se sendo nós pecadores e igualmente merecedores do juízo de Deus fomos alvo de misericórdia, não conseguimos clamar pela salvação desses jovens?

Por que tudo o que conseguimos fazer é debater se o certo é prender alguém com 18, 16 ou que não haja limite de idade para que alguém seja preso? Por que não vamos além disso?

(Apenas pra esclarecer, o ponto aqui não é a isenção de punição para atos considerados crimes em nossa legislação. Todos devem responder por aquilo que praticarem. O alvo é algo maior, eterno. O alvo é onde esses jovens passarão a eternidade.)

Por que não nos colocamos de joelhos e clamamos por essa geração?

Muitos tem se perdido em meio às drogas, a violência, a depressão. Muitas mães têm enterrado seus filhos, e, como disse minha vó certa vez em um velório que fomos, “isso não está certo! Uma mãe nunca deveria ter que enterrar um filho”.

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Existe um clamor no coração de Deus! Um clamor por esses que Ele tanto ama e que tem se perdido sem ter tempo de conhecê-lo ou mesmo tempo de se arrepender, como nós tantas vezes fizemos e ainda temos que fazer.
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Seria possível diante de um cenário cada vez pior que uma geração se levantasse pra clamar pra que esses índices diminuíssem? Seria possível vermos essa violência diminuindo?

“Não seja tola, Caro... a bíblia mesmo diz que as coisas ficariam cada vez piores...”

Sim, mas ela também diz que Ele não veio para os sãos, mas para os doentes (Mateus 9:12 ). Antes, veio salvar o que estava perdido e Ele não deseja que nenhum destes se perca (Mateus 18:14). Diz também que devemos amar ao Senhor de todo o nosso coração e ao nosso próximo como a nós mesmos (Mateus 22:37-39).

Se clamamos por nossas vidas, precisamos clamar por cada um deles também.

Assim, enquanto houver vida, enquanto houver fé, cabe a nós clamar e agir em favor destes pequeninos.
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Peço que orem por essas famílias! Alguns dos jovens que citei morreram por escolherem caminhos escusos. Outros dois levavam uma vida normal. Não haviam feito nada de errado, apenas estavam no local errado quando o “alvo” foi encontrado.
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 Eu sei que é difícil orar por situações como essas principalmente quando se é vítima desses jovens. Por melhores pessoas que tentemos ser, em nosso coração, por vezes, nasce um desejo de vingança, mas te convido a experimentar algo que eu não sei mensurar com palavras: orar pelos que os maltratam e os perseguem (Mateus 5:44).

Essa oração foi uma das experiências mais loucas que já tive. A violência sofrida não gerou morte, graças a Deus, mas gerou e ainda gera tamanho desgaste que eu verdadeiramente desejei a morte das pessoas envolvidas.

Ver pessoas que amamos sofrendo, nervosas e exaustas é desesperador. Em mim não havia capacidade pra olhar pras circunstâncias e achar graça e misericórdia, mas por alguma razão Ele me lembrou que havia uma oração a ser feita. Havia algo que eu desconhecia.

Quando dei por mim, lá estava eu, orando e clamando pra que Deus tivesse misericórdia daqueles que nos provocaram tanto mal. Ele me fez enxergar a vida que carecia de salvação. Me fez entender que havia alguém perdido em meio a escolhas erradas. Me fez interceder pra que ele tivesse outra chance diante de Deus e dos homens.

Não amo essa pessoa pela qual orei, mas ainda desejo viver o restante do versículo que citei (Mateus 5:44).

Vivenciar tal coisa me revelou uma parte do coração de Deus que eu ainda não conhecia. Uma parte que só aparece depois do “negue-se a si mesmo”.
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Te convido a "desengasgar" e chorar com os que choram.

Ore, apoie, faça algo! Se conseguirmos ajudar um, por amor desse um já terá valido a pena.

Ele se importa e deseja que também nos importemos!

Deus te abençoe! ;)




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016



“O que cê tá fazendo?”




Aleluias! Post novo para minha alegria... heheh espero que seja pra de vocês também.

Mais uma vez Deus usou crianças pra falar comigo. Entonces, bora aprender com elas!

Tem uma fase, quando a criança já fala, ainda que meio enrolado, em que ela tem uma curiosidade imensa e está sempre observando os adultos. Se você, como eu, vive rodeado desses pequenos mestres, já deve ter ouvido alguns: “o que cê tá fazendo?”

Ta e daí? =P

Daaaaaí que tem um versículo que diz assim:
“Jesus lhes deu esta resposta: “eu digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz. Pois o Pai ama ao Filho e lhe mostra tudo o que faz. Sim, para admiração de vocês, ele lhe mostrará obras ainda maiores do que estas”. (João 5:18-19)

Ainda não está fazendo sentido?! Calma! Continua comigo...

Eu não sei você, mas algumas vezes já orei tentando entender porque eu não conseguia ver minha vida gerando os frutos que eu gostaria. É certo que algumas coisas Ele já nos instruiu sobre como e quando fazer, e se não temos visto frutos nessas áreas, meu bem volte dez casas (se arrependa) e reinicie a rodada. Já tive que reiniciar algumas vezes, tamo junto!
Mas falo aqui daquelas extraordinárias! Aquelas coisas maiores, sabe? Ou mesmo aquele “básico” padrão Jesus de ser e sair por aí fazendo milagres pra que as pessoas fossem impactadas pela glória e o amor de Deus.

Por que não vemos isso em nossos dias?

Talvez porque não estejamos perguntando ao Pai: o que Você está fazendo?
Seria muito mais fácil corresponder e ver os frutos que Ele prometeu revelar se estivéssemos ligados em entender o que Ele está fazendo.
O que Ele deseja realizar em nossos dias?
Sobre o que Ele quer que intercedamos?

Pegou aí? Pois é... aqui também!

Isso me lembrou de um retiro que eu tive o privilégio de participar em 2015 e que tinha como uma das ministrantes a Jackie Lodos (IHOPKC). Em dado momento ela falava sobre como eles buscam entender os motivos de oração que estão no coração de Deus para aqueles dias e de como ela chorou com o terremoto no Haiti em 2010.
 Ela, chorando muito, dizia: Espirito Santo... Por que você não nos contou? Por que não nos deu a oportunidade de interceder como das outras vezes? Você é nosso amigo! Queremos participar disso tudo!
Confesso que primeiro me assustei com a forma como ela falava. Eu não ousaria questionar o Espirito Santo dessa forma. Mas havia algo diferente ali. Havia intimidade! Ela sabia que podia falar com Ele daquela forma, pois eles sempre conversavam sobre o que o Pai queria fazer ou sobre as coisas que o Pai queria mudar, etc.

Não acho que isso fosse restrito pra ela ou pros participantes do IHOP.

“Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que de fato somos!” (1 João 3:1)

“Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom proposito da sua vontade, para louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado” (Efésios 1:5)

Se você crê em Jesus de todo o seu coração, entende que Ele veio pra te salvar e te redimir dos pecados, e tem buscado viver uma vida segundo a palavra de Deus, você é filho! Então, haja como filho!

Observe o que Seu Pai fez e faz! Pergunte a Ele o que pretende fazer.

Ele podia fazer tudo sozinho! Mas quis nos fazer participantes disso. Quis dividir conosco esse privilégio de alcançar o restante da família Dele para vivermos a eternidade ao Seu lado.

Bora corresponder! Bora ser a manifestação da glória dEle nessa geração! Bora descobrir os segredos do coração do Pai!
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Ah! Não menos importante, lembra só que o unigênito não “usurpou ser igual a Deus, antes se esvaziou”. (Filipenses 2:5-8) Então só corresponde e lembra que a glória continua sendo dEle.
Deus abençoe vocês!
;)


quinta-feira, 14 de maio de 2015

A acusação da noiva



Ela corre. Precisa fazer algo. Eles precisam saber.
Chega sem fôlego à delegacia.
"Senhor, quero fazer uma denúncia"
Pois não, sente se - responde o delegado.
"Vocês precisam prender a noiva"...
- E qual a acusação?
"Ela se prostituiu. Matou a fé e a esperança e sei também que quase matou o amor. Acredito que pode ser qualificado como tentativa"...
Os homens dentro daquela sala se olham como que tentando entender o que estava ocorrendo. Preocupados, insistem: suas acusações são graves. A senhora não poderá voltar atrás no que está afirmando.
Ela confirma: é verdade doutor. Nunca vi tamanha atrocidade.
O delegado faz sinal para o guarda parado na porta. Este sem demora puxa os braços da moça para trás e a algema. Na sequência, o delegado começa a dizer: a senhora está presa por duplo homicídio e pela tentativa do terceiro. A senhora tem o direito constitucional de permanecer calada, bem como de constituir advogado.
Ela fica revoltada. Começa a se bater tentando se desvencilhar do que a prende. Ela cansa. Respira fundo e volta a falar com o delegado: deve haver algum engano aqui. Eu vim fazer uma denúncia e vocês me prendem? Estou prestando um serviço à comunidade e é assim que sou recebida?
O delegado olha pra ela e diz: eu lhe perguntei se você tinha certeza do que dizia e você confirmou. Ocorre que a única pessoa que tem as características que você citou, é você mesma. Dessa forma, não posso liberá-la.
Neste momento seus olhos são abertos e ela se depara com suas roupas. Veste um lindo vestido branco. Ele esta sujo, rasgado. É difícil saber por onde ela passou. Ela cai em si e arrependida clama por misericórdia...
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Assim somos eu e você. Rápidos pra acusar a noiva, mas tardios para perceber que somos a noiva.
Este é um convite à cegueira onde os erros devem ser relevados? Não. Trata-se de um convite a misericórdia.

Que antes dos lábios prontos para acusar, tenhamos um coração que clama arrependido e que intercede pela restauração da noiva.
Que comece em nós.
Abraços!
Deus os abençoe!


domingo, 26 de abril de 2015

Eu, tu, nós livros


Pessoas são como livros. Cada uma guarda uma história.

Tal como cada livro que me indicam, me recuso a deixar que alguém passe sem ser lido.

É verdade que às vezes me precipito, leio só a introdução e me afasto.

Mas O dono da biblioteca sempre insiste: você deveria ler esse...

Eu desbaratino, digo que já li o resumo e não gostei, e Ele insiste: tem segredos Meus pra você nessa leitura.

Alguns parecem vir escritos em outras línguas e eu fujo dizendo: não sou poliglota, chama outro.

Daí Ele me pega na minha essência... sabe que também preciso ser lida e que sou uma apaixonada por ler. Me faz lembrar que algumas pessoas só O conhecerão se eu permitir que em mim sejam encontradas boas referências da Biblioteca.

Isso me dava medo, hoje gera zelo.

Volto, refaço o caminho e procuro aquele livro. Ele precisa ser lido. Eu não tinha o direito de julga-lo.

O engraçado, é que esses livros todos tem uma característica comum: páginas em branco. E eu não consigo ver as minhas sendo preenchidas sem manter em dia a leitura deles, os outros livros. É como se o que me completa estivesse neles e o que falta a todos nós, ficasse apenas a cargo do Dono da biblioteca.


Acho que a ideia é que essas histórias sejam por fim uma única e linda história, a história Dele.

E você, está com a leitura em dia?
 ;)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Sou ingrata


Quem é velho na igreja conhece... Canta comigo!

“Eu reclamo por tudo o que não tenho
Dos amigos, família e dos meus irmãos
Do salário, de janeiro a janeiro
Isso tudo pra não falar da comissããããããão

Refrão: iê iêêê... iêooooua...

Reclamarei do Senhor em todo tempo
O rancor estará continuamente
Em meus olhos e também na murmuração
Jesus Cristo, reconheça a minha afliçãããããão...”

É eu também prefiro a letra do Adhemar de Campos...rsrsrs Além de rimar melhor, fala do que deveria ser a nossa vida. Já a minha paródia fala muitas vezes do que é a nossa vida. Acredite, Deus usou isso pra falar comigo!
Essa semana Deus tem falado comigo sobre ser grata e me convidado a observar minha vida. Cara, fiquei impressionada com a minha capacidade de reclamar de tudo. Não chego a ser um Lippy e Hardy, que fica o dia todo falando “oh céus, oh vida... oh azar”, mas me assustei com a rapidez com que identifico e comento sobre o que está dando errado.
Se está calor, se está frio, se não tenho nada pra fazer, se tenho tudo e mais um pouco, (acrescente aqui tudo o que veio a sua mente sobre isso), etc.

Senti muita vergonha! Não curto “reclamões” e “reclamonas” e agora a reclamação em pessoa me encontrava no espelho na hora de escovar os dentes.

Um dos textos que Ele usou foi Filipenses 4:12–13 (NVI): “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.”

Fiquei pensando sobre o que seria esse segredo que Paulo citava. Sim, eu já li esse texto inúmeras vezes e também já ouvi diversas ministrações a respeito, mas tenho tentado experimentar a palavra viva e eficaz (Hb 4:12) no meu dia a dia.
Se é um segredo, significa que a maior parte das pessoas não descobriu do que se trata.
Paulo não apenas sabia que o certo era focar o Cristo, mas ele de fato vivia isso. Não era teoria, mas uma realidade na vida dele. Viver a vida de Cristo em nós é o segredo! Mas quem consegue?
Você não consegue, mas não se menospreze a capacidade não vem de você. O mesmo Deus que trabalhou no caráter de Paulo, é imutável e plenamente capaz de transformar cada um de nós, mas pra isso é preciso que em nós haja o mesmo desejo de transformação que existia em Paulo.
Outro segredo é observar a realidade ao redor. Você vai se surpreender com o que vai encontrar ao tirar o foco do seu umbigo e olhar pras dificuldades alheias. Aprendo muito sobre isso no Sopão. Aquelas pessoas sabem encontrar motivos pra sorrir mesmo que pra isso tenham que transpor barreiras muito maiores do que as minhas.

Eu não poderia deixar de citar a questão da reclamação na perspectiva do viver em Igreja. Pense numa pessoa que já foi extremamente crítica neste sentido?! Sou eu.
Sou grata pela vida do meu antigo pastor que com muito amor e paciência ouvia todos os meus apontamentos e depois dizia: Vamos orar. E aí deixava Deus fazer o trabalho de convencimento comigo. Ele não precisava se defender. Nem mesmo Jesus precisava, mas mesmo assim, com amor tirava a trave do meu olho e me ajudava a perceber que o problema estava em quem enxergava e não para onde olhava.
Quantos de nós ao invés de aproveitarmos a doce presença do Senhor, ficamos reparando nas pessoas, no “roteiro” do culto ou da pregação, ou olhando a grama do vizinho e dizendo “lá tem mais liberdade, aqui só me julgam”, ou “se tivéssemos o grupo de louvor de tal igreja, as coisas seriam diferentes”...
Acho que se tivéssemos uma conversa de 5 minutos com algum cristão que vive em um país onde a perseguição não é apenas história, mas realidade, finalmente entenderíamos o tamanho do nosso privilégio. Aliás, “privilegiados” é o termo que eles mesmos usam pra se descrever por poderem ser perseguidos por amor a Cristo.

Em certa conversa com uma amiga que foi ao Haiti, que vivia um cenário pós-catástrofes e eminência constante de guerra civil, lembro como ela descrevia o quanto aquela experiência havia impactado sua vida. Os cristãos daquele lugar viajavam a pé por horas pra chegar aos cultos, ficar ali por pouco tempo e depois fazer todo o trajeto de volta. A maioria tinha ficado órfão ou perdido toda a família. Não tinham emprego, nem qualquer outro bem, mas isso não os impedia. O lugar era pequeno, muitos deles precisavam ficar atrás de pilastras e não enxergavam nada do que acontecia no “púlpito”, mas o simples fato de poder prestar louvores a Deus e ouvir Sua palavra, os fazia cantar empolgados e não trocar aquele pedacinho de chão por nada. O calor era insuportável e por isso os cultos precisavam começar cedo para não prejudicar ninguém. Não havia estrutura física, nem instrumentos de qualidade. Ar condicionado? Esqueça! Mas a presença de Deus era quase palpável.
Será mesmo que tudo o que apontamos de defeito na Igreja é suficiente para nos impedir de cultuá-lo?

Esse texto não é um convite ao conformismo ou para que você viva a utopia de um mundo perfeito, pois voltando a Paulo, ele não ignorava as circunstâncias, mas aprendeu a olhar acima delas.
Também não é um discurso de quem já está conseguindo viver plenamente essa palavra, mas de alguém que aceitou tirar a trave do olho, reconheceu seu pecado e tem tentado ser grata em todo tempo.

Tente!


Abraços e que Deus os abençoe.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

É hora de fazer planos!


Fim de ano, férias, aquele clima delícia que faz as pessoas sorrirem sem motivo e o momento que todos aproveitam pra fazer planos para o próximo ano.
Na lista normalmente tem: fazer atividade física, fazer regime, ter mais tempo com a família e com Deus. (Você acrescenta aqui o que quiser).
Na hora que está escrevendo ou orando a respeito, tudo isso faz sentido e você realmente acredita que fará tudo isso, mas posso ser sincera? Isso é tudo migué! Eu e você sabemos que você não vai fazer nenhuma dessas coisas. (Se você lista e consegue realizar o que listou, parabéns! Você é praticamente um caso raro da ciência. A maior parte das pessoas nem se lembra do que listou pro ano).
Uuui quanta dureza nesse coração! Mas é real galera. Eu sei como é. Faço isso todos os anos (tirando a parte do regime), mas é incrível como entre o dia 1/1 e o dia 31/12 acontecem tantas coisas que quando você vê, o ano acabou... a vida passou e você não foi capaz nem de cumprir uma lista de 4 itens.
Sejamos sinceros, se você não foi capaz de sentir necessidade de fazer essas coisas nesses 365 dias, será mesmo que esse seu desejo de “mudança” para o próximo ano é real?
Já sei o que você vai dizer: foi muito corrido! Agora nas férias vou dar um gás e tirar o atraso. Daí já pego a prática e quando voltar à rotina nada vai me impedir!
Ahhahah... Eu poderia votar em você agora! =P

Deixando a ironia de lado, falo dessas coisas por contemplar isso em minha vida. Sempre que me proponho a escrever aqui é porque Deus está tratando ou já tratou tais coisas comigo.

Vamos voltar no tempo...
Em dezembro de 2013, eu estava feliz e contente curtindo minhas férias em família e num tempo massa com Deus fiz planos para esse ano. Pedi, entre outras coisas, que eu tivesse mais tempo com Ele, prometi que no que dependesse de mim, nada impediria isso. Isso de fato aconteceu, mas não do jeito que eu imaginei.
Eu fiz igual todo mundo, falei que ia fazer, acontecer, etc, mas na prática não foi iniciativa minha a busca por Ele. Sabe aquela busca genuína? Não rolou. Busquei na hora do aperto mesmo. E olha que tive vários momentos tops com Ele em virtude disso. Ele continua sendo fiel e não nos abandona. Esteve presente em todo tempo e falou profundamente ao meu coração sempre que eu fui verdadeira e admiti minha incapacidade de resolver as coisas.
Mas queria falar de um momento específico.
Desde junho de 2014 tenho tratado uma série de problemas de saúde, e ao contrário da previsão dos médicos, eu sei que em breve estarei curada (Não criemos pânico. Está tudo sob controle). Houve um momento que eu confesso que eu desisti de orar sobre isso. Não que eu não acreditasse que Deus podia me curar, eu só não queria mais falar com Ele sobre isso. Eu e Ele sabíamos que a situação era importante, mas eu não queria parecer um gravador ou um papagaio que apenas chega pra falar a mesma coisa todos os dias. Ele continuava a me constranger com Seu cuidado e amor, como eu poderia chegar pra Ele e ficar reclamando ou pedindo solução pra algo? Comecei então a orar pra entrar num lugar de plenitude nEle em que as circunstâncias não importariam mais.
Veio então o retiro #Profundo, da Alcance Jovem. Antes de chegar lá na chácara, olhei bem no olho do médico e avisei: eu vou no retiro, ok? Não importa o que você diga. (Não era rebeldia, galera. Eu só estava determinada a não perder nada do que Deus tinha reservado para aqueles dias, e o médico me confirmou que isso era possível, então estava susse).
Cheguei naquele lugar e ESQUECI do resto. Nada mais me importava. Desculpa sociedade, mas eu só queria Ele. Pra não dizer que não falei sobre a dor, minha oração ao chegar lá foi: Senhor, que nada seja capaz de tirar minha atenção. Quero experimentar a plenitude da Sua presença.
Foi ALUCINANTE! Eu podia sentir o céu na terra. Sabe quando você só quer estar ali? Eu não ousaria pedir nada. Eu sequer conseguia falar palavras bonitas pra Ele. Aquela presença era forte demais pra ser “perdida”. Não sei explicar mais do que isso... só sei que foi extraordinário.
Naqueles dias entendi algo que já ouço há anos, mas nunca tinha vivido: quando você entende o quão precioso é saber quem Ele é, o que Ele pode fazer por você deixa de ser prioridade. Você quer saber mais sobre Ele. Você só quer estar ali. Porque descobrir a identidade dEle, fala da sua também. Aquela original que foi gerada antes de você saber que existiria. Sabe?
Porque eu estou falando disso? Porque essa experiência gerou em meu coração uma necessidade de estar em contato com Deus o tempo todo. Existe um desejo ardente no meu coração. Não é algo que possa ser agendado. Não é algo que eu precise escrever. É como respirar! Ninguém precisa me lembrar que isso é fundamental pra minha sobrevivência. Eu só respiro.
Não fico “aleluiada” todos os dias. Não vi anjos, nem nada, mas eu não preciso mais colocar isso como meta. Se eu não tive tempo exclusivo com ele durante o dia, fico ansiosa pra chegar em casa. Eu preciso contar a Ele como foi meu dia, como me sinto sobre as questões que vivi naquele dia.. e assim vai.
Sobre os problemas? Eles continuaram as pencas, mas eu agora não apenas sabia, mas eu sentia que Ele estava comigo.
Espero que essa pequena história te encoraje a fazer esses momentos acontecerem e não apenas planejar que eles aconteçam. Garanto que isso lhe dará força o suficiente pra concretizar quaisquer outros planos que façam parte da sua lista.

Feliz ano novo pra vocês! Que seja de fato NOVO! =) 

https://www.youtube.com/watch?v=7QnkIeCkoUE

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Senhor, quero viver sua vontade! #QuemNunca fez essa oração?



Na verdade se você é cristão, muito provavelmente faz essa oração todos os dias. Mas vamos a minha história...

Não tem sido um ano comum. Aliás, ele tem sido beeeeem difícil, mas em proporcional medida, tem sido extraordinário, pois tenho crescido absurdamente (como pessoa e em meu relacionamento com Deus. A estatura continua a mesma...ahah) e sido surpreendida pelo cuidado e amor incondicional de Deus. 

Aconteceu tanta coisa que teria que escrever vários textos pra tentar contar tudo e talvez ainda fosse insuficiente. Acredito que aos poucos escreverei mais a respeito. Por hora, o que posso dizer é que todos esses episódios, ao final, tinham em comum uma oração: Senhor, quero viver sua vontade!

Após mais um desses acontecimentos, no último fim de semana, comecei a sondar meu coração... Quero mesmo a vontade do Senhor? Sim, eu quero (disse o meu eu responsável e gospel..rs). Mas por quê?

Cara, isso me paralisou!

Eu quero a vontade Dele porque sei que é O melhor caminho pra mim e realmente tenho convicção de que o plano dEle é melhor (Isaías 55:8 e 9) e de que essa vontade é boa, perfeita e agradável (Romanos 12:2)? Ou simplesmente porque o "meu plano perfeito" deu errado?

Ok, as pessoas podem (e DEVEM) se arrepender sempre que notarem que outra vez tentaram fazer as coisas a sua maneira e tudo deu errado. Mas isso tem que ser a exceção. Tem que servir pra situações em que sem perceber tomamos as rédeas e fizemos as coisas do nosso jeito e em desconformidade com a palavra, mas não em todo tempo.

Nosso desejo em viver a vontade de Deus deve ser genuíno e não baseado na experiência frustrada. Deve ser nossa vontade original, uma vez que Ele tem instruções específicas para todas as áreas da nossa vida e porque Ele deseja pessoalmente participar dessa caminhada.
Não acho que você e eu devemos ficar perguntando absolutamente tudo e o tempo todo. Exemplo: O sujeito tem um jantar pra ir e antes tira um tempo de oração pra saber se deve ir de camisa branca, amarela, verde, etc. Mas à medida que caminhamos com Cristo e alimentamos nossas vidas com a Sua palavra, ficará mais fácil viver uma vida segundo aquele plano original citado anteriormente. 

Isso tudo tem muito mais a ver com SER do que com FAZER.

À medida que nós entendermos QUEM somos e principalmente QUEM Ele é, esse querer será natural. 

Jesus, o modelo perfeito de como um homem pode viver plenamente segundo o padrão da Palavra (não me venha com a desculpa de que ele não vale porque ele era Deus, pois se ele quisesse relatar as experiências que ele relatou pra enfatizar “como um deus lida com isso” provavelmente teríamos relatos hollywoodianos na bíblia e não situações reais de homens comuns), tinha na oração o registro dessa motivação correta “Seja feita a Sua vontade e não a minha”. Para as situações do dia a dia, ele vivia a luz da palavra. Pra aquelas extraordinárias, dedicava tempo em oração e buscava direção, mas em todo tempo caminhava sob a Luz correta.

Volta e meia me pego toda quebrada e quando paro pra avaliar, não estou dessa forma porque me deparei com um problema, porque isso SEMPRE vamos ter. Mas só me quebrei porque tirei os olhos do lugar certo e passei a acreditar que eu, por mim mesma era capaz de resolver. Outra vez quis ser A salvadora quando não havia mais o que salvar. Já está consumado!

Pra fechar, compartilho duas palavras que recebi nesse ano e que refletem esse cuidado e amor, que não se importa em vez após vez me ensinar novamente o jeito certo de fazer as coisas:

“Eu não te darei forças pra você resolver o que não cabe a VOCÊ resolver”. (É quase como se Ele sussurrasse, "deixa comigo!")

“Isso (o que você tem vivido) não fala sobre quem você é, mas sobre quem Eu sou. Isso não é pra mostrar onde você chegou, mas onde Eu te estabeleci”.

Te incentivo a fazer o mesmo e avaliar a motivação não apenas desta, mas de todas as tuas orações. Não entre no piloto automático e ore com palavras que todos usam só porque todos usam, mas ore com aquilo que é verdade na sua vida e que faz sentido pra você. Você vai se surpreender com os lugares que essa experiência, pessoal com Ele, vai te levar!